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MOVIMENTO IMPARCIALISTA

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IMPARCIALISMO

sexta-feira, 13 de março de 2015

Dia 14 de Março, Dia Nacional da Poesia

Dia 15 de Março de 2015

Quinze de março

Quinze de março ainda não aconteceu;
Um dia que pode ser histórico,
Um dia para que os brasileiros
Coloque um fim nos estereótipos
De Jeca Tatu na política,
De povo negligente,
Povo conivente com a corrupção
Gente passional, colônia de exploração...
Povo que ainda não assumiu sua condição
E sua brasilidade...

O Brasil ainda não aconteceu,
Quinze de março
Pode ser um dia de um marco histórico,
Um dia para o recomeço
E a construção de uma nova identidade nacional
Porque ao longo da história
Confundiram a nossa alegria de viver
Como coisa de gente tola,
Confundiram a nossa paz com apatia,
Confundiram o nosso futebol com a nossa pátria
E a nossa dança como coisa de gente sem respeito.

Somos muito mais, somos a miscigenação.
Não somos o que está do outro lado do mar;
Somos o que já estava aqui,
Mais o que veio de lá do outro lado do mundo...

Octávio Guerra
J.Nunez





quarta-feira, 11 de março de 2015

Dadá se diz anti-arte, Dadá é moderníssima...

Dadá

Hora do rush,
Happy hour no café Zurique,
Chuva fina, tarde de verão, fim de março.

_Dadá! _A janela está aberta!
Dadá caminha de um lado para o outro
Dentro do quarto, quase nua.
Ela se esquece que excita; pede respeito...
Dadá não quer nada comigo;
Com os outros anda cheia de dadaísmo.
Talvez, sendo imparcialista,
Não faço o tipo de Dadá.

Dadá se diz anti-arte,
Dadá é moderníssima
E faz da anti-arte sua arte,
Da deformação sua forma...
A quem a leva a sério!

Dadá, você é uma mulher linda!
Dadá é desencantada
E foge para um mundo surreal,
De imagem onírica e fluxo perigoso de sentir-se.

Digo a Dadá, despida de civilização e moralidade cristã:
_ Antes de passar em frente dessa janela aberta para a rua,
Vista ao menos uma blusa...

Dadá está bêbada e diz coisas sem sentido...
Se deixa largada  na cama, 
Aos pedaços como uma imagem cubista. 
Dadá é autodestrutiva...
Dadá, meu desencanto! 

Abílio Santana
J.Nunez






terça-feira, 10 de março de 2015

POESIA PARA O NOVO CONTEXTO J.Nunez

Ode ao Contexto Contemporâneo

“Ode Triunfal” de Fernando Pessoa, um canto ao modernismo,
Não temos mais razões para fazer apologias ao nosso tempo,
Que são as consequências do que foi a modernidade.
Fomos pisoteados pela velocidade. ..
Nossas razões para sermos indivíduos e poetas,
Está em reportar esse tempo,
Feito um "Velho do Restelo" Contemporâneo.

Meu canto é para gente suja,
Gente suja que se considera suja...
Ser sujo, saber que é sujo,
É ser humano naturalmente.

 Oh, mundo sem graça!
Tudo é natural,
Normal,
Frívolo
E clichê.

Eu quero as projeções mentais perversas nas ruas,
Eu quero mistérios indizíveis,
Pecados inconfessáveis,
Abduções a luz do dia,
Imoralidades que ruborizam as moças,
Perversão sexual que enojam,
Maledicências cruéis,
Safadezas e atentado ao pudor condenáveis,
Fraternidades de perversos e santos,
Senhores de chapéus, homens decentes
Saindo de casas de prostitutas
Escondidos embaixo da aba do chapéu,
Senhoras desavergonhadas que compram e não pagam,
"Famílias felizes" de dois homens e filhos adotivos,
"Famílias felizes" de duas mulheres e filhos adotivos,
Senhores cheio de moral e discursos éticos
Se esbofeteando por dinheiro no Congresso,
Senhoras descentes se oferecendo nas portas dos comércios,
Putas disfarçadas de senhoritas,
Mocinhas mães, na sala de aula,
Dá o peito para o filho do moleque da outra sala,
Homens pervertidos como uma dama devassa,
Homens verdadeiras damas submissas,
Políticos apedrejando políticos corruptos,
Insanidade pelas ruelas assustadoras,
Maconha nos canteiros dos jardins públicos,
Quero as incoerências e insanidades de nosso tempo,
Quero os segredos das freiras e padres,
Quero saber o que escorre pelo esgoto dos conventos.
Fetiches, mocinhas que se dizem virgens quando cai a noite,
Senhoras rezando pelos seus maridos bêbados na portas das Zonas,
Maridos fingido que não vê que sua mulher,
Filhas se jogam nos braços do patrão,
Turistas sexuais felizes e pelados pelas ruas da Cidade Maravilhosa,
Crentes pecadores que não suspeitam que a oração também oculta perversões,
Quero ver o diabo que esconde em cada gesto santo e piedoso, 
Rapazotes cabaços amando senhoras casadas,
Meninos esfomeados roubando os mercados dessa rua suja,
É só mais um pai que joga filho pela janela,
É só mais alguns jovem que matam outros queimando vivo,
Conotação sexual, desvalorização humana, apologia a vida desregrada
E superficialidade consumista, é o que chamamos de cultura,
Que nasceu nas favelas e invade todas as classes sociais, idiotização em massa,
Quadrilhas de travesti, mulheres imitando homens em tudo,
Na conduta, no crime, no vício e na degradação sexual;
Estatísticas, gráficos e números do governo encobrem as verdades e as mentiras...
Mas eu quero ver tudo isso com assombro e indignação de um beato cristão,
Mas o que temos é um mundo nivelado, tudo é um inferno frívolo!
Vivemos em um mundo sem assombro,
O inferno se tornou natural!

La embaixo, do outro lado da rua,
Marido arrasta mulher pelos cabelos, é só mais um escândalo sexual...
Ou,  não é nada, ninguém se importa! 

Vivemos a ilusão de liberdade.
Nessa prisão virtual,
Não temos uma porta,
Ou mesmo um buraco de fechadura
Para espiar lá fora:
 Deus e os mistérios da vida de da morte,
Contudo, temos uma janela para espiar essa Sodoma e Gomorra virtual.

Os amigos Imparcialistas sejam todos muito bem-vindos, estamos em casa.
Os plagiadores, os egoístas e ladrões do Imparcialismo,
Diga a todos nós a senha, a chave, a palavra não revelada,  
E o segredo do Imparcialismo tatuado na minha pele. 

Novos tempos, o mundo se configura de outro modo,
Capitalista quando convém,  socialista quando convém,
O mundo capitalista segue o possibilismo,
O individuo contemporâneo é possibilista,
Vai por onde dá, ou por onde dá mais dinheiro.
Novos tempos, tudo se configura de outro modo,
O subemprego paga mais que o emprego de antigos status,
Muita demanda em tudo... Muita incoerência em tudo...
Muita demanda de sexo! O ser humano desvalorizou, 
As prostitutas perderam seu emprego.
Estudamos mais de uma década para um emprego
Que não exige mais que apenas braços e pernas
Dispostas a trabalhar feito máquinas
Para alimentar o consumismo e o capitalismo.
Fazemos Guerra Fria,
Criamos armas de guerra para matar o inimigo,
Os nossos, a nós mesmos e o planeta.
Lembramos de um Deus, uma necessidade primitiva,
Porém queremos ser salvos e eternizados pela tecnologia.
Nossos pedidos são direcionados aos cientistas,
As máquinas e as tecnologias trindade de nossos dias.
Desconhecemos nossos labirintos da alma,
Desconhecemos até a superfície primitiva de nossas almas,
No entanto queremos conhecer outros mundos,
Queremos estar fisicamente em outros mundos,
Queremos mapear nosso mapa genético.
Estamos tão evoluídos, segundo o senso comum de evolução,
Que o caos é a ordem,  e a ordem é o caos.
Tudo é fácil, segundo o nosso conceito de não altruísmo;
Que tudo é possível, tudo é fácil, inclusive o sexo é fácil.
Tudo é fácil, criamos o conceito de que tudo é possível...
E Deus ri de nossas pretensões, Deus ri de soluçar...Deus ri de tudo!
O mundo é um espetáculo  bizarro, no programas de televisão no Reality Show,
A famosa possibilista diz com se masturba a luz do dia e a luz das câmeras,
A mulher evoluiu, segundo os nossos conceitos de evolução,
O homem evoluiu segundo os nossos conceitos de evolução,
O homem é mulher feita com bisturi e hormônio,
 A mulher é mulher feita no bisturi,
A mulher é homem feito no hormônio.
Evoluímos, evoluímos ao sopro do capitalismo,
Um sopro que desvaloriza a alma divina das coisas
E lhes conferem valores monetários.
Construímos uma selvageria no coração do homem
Entregues a luta pelas metas inatingíveis e sempre incompletas
De um profissional capitalista doente de doença moderna,
Doenças que corroem o sentido profundo e superficial da vida.
Zumbificamos homens e mulheres que andam por ai
Obedientes a um ditador invisível, "O Senhor dos Nossos Dias."
Acreditamos, cegos de luz da alma, na evolução de nossos tempos
E não percebemos que somos aquele mesmo ser holístico e primitivo,
Com as mesmas necessidades primitivas dos homens: comer, beber e dormir.
Nosso mundo se globalizou ignorando a lei holística
Em quanto esse mundo é holístico, em um escala gigantesca complexa e perigosa...
Assim é o “Efeito Borboleta”.
Cultura global, idiotizes globais, idiotização em massa...
Não querem que nossos jovens conservem a cultura regionalista,
O mundo agora é um quintal,
Nada está dentro ou está fora, é tudo mundializado,
É tudo nivelado; esse é o tempo do Relativismo ou do nivelamento de todas as coisas...
Evoluímos tanto, segundo o conceito de evolução contemporânea,
Que a desestrutura se tornou a própria estrutura, e a deformação a forma.
Evoluímos tanto segundo esses conceitos de evolução
Que impomos direitos aos outros,
Que eles não querem, sem que pareça Ditadura.
Nosso sexo é tão evoluído que não precisamos mais fazer sexo para fazer filhos,
Filhos feitos sem sexo, sexo sem contato físico.
Evoluímos tanto que explicamos tudo com teorizações
E malabarismo teórico, e contradizemos tudo na vida prática.
“Ser ou não ser” não é mais a questão;
 Agora não somos e pensamos que somos,
 E “ser ou não ser” é tudo a mesma coisa.
Nossa evolução, quando convém,  
É explicada com os comportamentos sexuais dos animais.
Tudo gira nas engrenagens do capitalismo e seu consumismo.
Evoluímos tantos que o sexo é praticado nos bailes sexuais
Que nossos jovens fazem nas ruas, embriagados de bebidas tomados no gargalo,
E entorpecidos pelas drogas que adentram as casas,
Passando pelas frestas das portas e janelas onde senhores e crianças
Tentam dormir o sono dos homens primitivos.
Evoluímos tanto que superamos o conceito de selvageria, depravação e bestialidade
E o sexo explícito das cadelas nas ruas foi superado por nós,  humanos superiores.
Nossa evolução nos permite santificar e dignificar qualquer ato,
Antes desaprovado, com a teorização.
Estamos todos expostos para ser apreciados e ridicularizados mundialmente; 
Globalizamos as bobagens e idiotices descartáveis.
Evoluímos tanto do conceito moderno de evolução
Que superamos o conceito de pecado, crime, virtude, erro e castigos...
Não temos mais pecados, somos anjos e santos sem ser purificado ou santificado.
Somos porque pensamos que somos.
Somos putas que vende sexo sem ser puta,
Somos padres,  Apóstolos de Cristo contra tudo que formou o cristianismo,
Somos pecadores sem pecados, criminosos sem crime,
 Assassinos confessos sem morte comprovada,
Somos um lindo puteiro ao céu aberto,
Ou acessados com o apertar de um botão.

O capitalismo e o consumismo são os pais legítimos do Possibilismo:
Que são os olhos fixados no lucro, olhos cobiçosos dos homens de negócios,
Olhos gulosos que buscam os caminhos possíveis para a especulação e a exploração de lucros imediatos.
O que foi chamado de Modernismo, na verdade, e a muito tempo, é o Possibilismo,
Que nasceu no auge da ganância e nas explorações dos caminhos possíveis.

Tempos em que a vida não é orientada por vocações
Mas se vai por onde dá, e se faz o que tem para fazer.
A continuidade do Possibilismo é este contexto histórico em que vivemos,
Em que buscamos cada dia mais os meios possíveis de sobrevivência.
Tempo de células-tronco, biodiversidade, código genético,
Aquecimento global, colisão de mundos, detritos espaciais,
Engenharia genética, aborto, inseminação artificial, máfia verde,
Inclusão social, globalização, reciclagem, namoro virtual,
Sexo sem penetração, biocombustível, energia renovável,
Abdução, casamento gay. aldeia global, multiculturalismo...
O Possibilismo tem inicio na música comercial, no livro comercial, historia comercial,
A dança comercial, no disco comercial, na bunda comercial, no rosto comercial,
No corpo comercial, na primeira merda do filho da celebridade,
Na moda comercial, no padre comercial, no programa comercial, a igreja comercial,
No lixo comercial, quando o que é de bom gosto, elevado e espiritual, perdeu seu espaço para o lucro.
O Possibilismo é filho legitimo da máquina, e a extensão desastrosa do capitalismo.
O Cristianismo primitivo é o filho legitimo de Cristo,
E a igreja a extensão desastrosa do imperador Constantino l.
O Possibilismo geográfico de Paul Vidal de La Blache,
Com a teoria da exploração do espaço geográfico,
Ou espaço vital utilizado por Hitler, se estendeu para a literária, a música, a arte,
O Lazer, a recreação, a moda etc, o Possibilismo é conseqüência natural
Do Capitalismo, é a exploração comercial de tudo...
Depois da ganância, dos anseios e da liberdade de expressão,
Novas vitrines, novos ricos, novos pobres,
Novas marcas e um novo público consumidor.
Agora somos a sociedade do prazer, tudo pela felicidade, nada de penitências
E sacrifícios, nada de conceitos que atrapalham sermos felizes,
Tudo esta sujeito ao prazer.
Se os preceitos religiosos atrapalham, os mudaremos,
Se Igreja incomoda, a transformaremos,
Se a bíblia incomoda, a reescreveremos,
Somos Possibilistas, e apenas precisamos de Deus quando nos sentimos sós,
Deus se tornou um amigo subordinado
Aos nossos caprichos e necessidade de prazer.
Mas uma coisa ainda nos incomoda:
É que parece que existe um Deus furioso na força dos vulcões,
Um Deus irado que chacoalha a terra,
Um Deus castigador no sopro furioso nos furações,
Um Deus tempestuoso nas águas do mar,
Um Deus independente da ideia que tenho a respeito dele,
Será que os gregos estavam certos!
Será que os índios estavam certos! Será que os negros estavam certos!
O que eu sei é que o modernismo não terá um fim,
Se o medirmos com o avanço tecnológico.

Como profetizou o filosofo Karl Marx.
O homem se fundiu à máquina,
E a máquina ditou o ritmo do trabalho,
E a máquina que não sente fome, roubou o sustento do homem,
E a máquina triturou corpos sem distinção de cor, sexo e idade,
E a máquina condenou e engoliu almas...
E a máquina expulsou os homens do campo,  trouxe fome à cidade,
E a máquina fez ruídos de correntes, roncos de motores e destruí o Bucolismo,
E a máquina que um dia substitui seu corpo, agora substitui sua mente,
E a máquina fabrica o que você não pode comprar,
E a máquina faz ás marcas que você calça, que você veste, que você bebe e come,
E a máquina destruiu a estima  humana, e ganhou a bajulação dos patrões,
E a máquina é um deus que faz lucros exorbitantes.
Depois prevaleceu o capitalismo,
O epicurismo, o cristianismo e conservadorismo Americano,
Que pregou o consumismo, o sonho americano,
E o direito de acesso aos bens de consumo,
Que considera a família sagrada, porque consome.
Assim manipulou, imitou de maneira hipócrita,
O equilíbrio do império romano, no tempo de Otaviano Augusto,
E o epicurismo do poeta Horácio, e do filosofo Epicuro de Samos.
Depois prevaleceu o capitalismo e um futurismo moralista e puritano,
Antes denunciado por Marinetti, Walt Whitmam e Pessoa,
Mas não me engano, o homem é o mesmo, a moral e a religião é uma mascará...
E o que importa é quem somos por de trás de tudo isso...
Não se dê o trabalho de abrir a boca para dizer quem é você,
As marcas falam melhor que você, elas são a sua a ideologia, sua religião,
Sua filosofia de vida, seu objetivo, seu tempo de lazer, sua recreação,
Sua segurança, seu status, seu medo, seu ideal, sua luta...
Deixe que a Ericsson, a Ferrari, a Honda, a Johnson's,
A Lamborghini, a Mercedes-Benz, a Nestle, a Olivetti,
A Opel, a Peugeot, a Philips, a Pirelli, a Porsche,
A Renault, a Rolls-Royce, a Siemens, a Suzuki, a Yamaha ect, falem por você.
Você sem nome, você sem individualidade, você publicidade ambulante...

Logo, a ilusão de uma sociedade de recreação,
Os eletros domésticos, ferros de passar, geladeiras, fogões, computadores,
Micro ondas, rádios, toca disco, DVDS, telefones, carro, TV e muitos outros objetos
Que trouxeram a ilusão de conforto, felicidade e de que são indispensáveis;
Quando na verdade a necessidade só criada mais necessidade.
Quando na verdade á felicidade custa sua vida, sua alma,
A sua penitência, a sua morte, seus conflitos de consciência,
Sua crise de existência, a solidez de sua alma, seu abandono de corpo,
Seu estado de êxtase, sua loucura, seu budismo, seu cristianismo,
Seu arrebatamento de corpo e alma.
Chamamos de felicidade o que na verdade é apenas a mecânica da vida,
O provável e previsível, o modismo fútil que o tempo ridiculariza.
Basta ver na TV a moda dos anos noventa, oitenta... Que comprovará o que digo.
Tomamos por verdade inabalável e felicidade indestrutível,
Todos os conceitos que cumpram os requisitos de nossa ideia ilusórias sobre a vida.
O que acreditamos não é necessariamente a verdade,
É apenas o que desejamos ouvir, é uma ideia confortável sobre a vida.
Agora o homem sente se traído;
O sonho não chegou, o robô não veio,
O que chegou é o resultado da exploração do planeta,
O que chegou é a ira da Mãe Natureza,
O que chegou é o lixo espacial,
O que chegou é a esgotamento do recurso natural...
O que chegou é o auge do capitalismo, onde tudo está à venda,
O que chegou é a era da informação,
Onde quase todo mundo tem acesso à quase tudo,
E vulgarizou o conhecimento; tornando muito difícil aparecermos, interessantes!...
Nosso discurso começou a mudar, e a educação
Não é mais um meio da ascensão social,
E sim um meio para o crescimento intelectual do homem,
Porém este novo discurso oculta a grande decepção humana.
Nem o capitalismo, nem o socialismo fracassaram;
É que a ideia de justiça social é mesmo utópica.
Justiça e injustiça são o livre arbítrio dos homens,
E quando em desequilíbrio, é tirania.
Sempre houve, e sempre haverá caçador e presa.
Estatística é o que vejo pelas ruas,
Pelas praças da cidade, nos hospitais,
Nas filas de desempregados,
Nas catástrofes que a televisão amansa,
Na estupidez de sermos um povo,
Nas sutilezas de governos,
Nas bobagens que cultuamos,
Nas verdades escondidas,
Nas exclusões sociais, culturais e políticas.
Eu que não sou excluído, nem se quer pertenço
A este ou aquele grupo, sou aquele sujeito fora do lugar.
Um metalúrgico filho de evangélicos, um metido e poeta e filósofo,
Um estúpido, um desclassificado...
Sou aquele insuportável que não diz verdades ou mentiras,
Diz o que vê... e isso é Imparcialismo. 

E o que vejo é uma mentira contada a milênios e adequada
Ao tempo em que é narrada.
As mentiras e os pretextos de salvação
E civilização que cristianismo espalhou pelo mundo,
Foram elaborados para roubar terras, exterminar culturas, escravizar povos nativos...
Agora esse povo “civilizado” continua a mesma mentiras com outros pretextos
Adaptados a esse tempo em que vivemos.
Quem é que precisa de civilização cristão,
Qual índio ou qual negro que necessita de cultura européia.
Verdade cada qual tem a sua. 
Não, não discordo das mentiras, elas devem ser contadas,
Mesmo porque a verdade é para poucos.
Não, não discordo com as religiões, elas devem existir,
Afinal, são elas a grande arma do governo, são elas que mantêm o povo e o indivíduo em ordem.
A verdade é para os que contam as mentiras para um povo,
O poder é para os que contam a mentiras para um povo.
Os segredos e o conhecimento são para os que contam as mentiras
E sabem que são mentiras elaboradas e adequadas ao seu tempo.
Digo apenas o que vejo e isso é tudo, e isso é estatística.
Não sou de esquerda,
Não sou ateu,
Não sou marxista,
Sou um fora do lugar, uma peça que não se encaixa,
O que sei que não sou é arma do governo.
A igreja é arma do governo,
A mulata que requebra é arma do governo,
O humor e a sátira são armas de governantes cínicos
Capazes de fazer do veneno o seu remédio.
A tolerância é arma do governo.
Podemos trocar alguns socos,
Mas saiba que não dou tréguas para as sutilezas,
Para as mentiras bem elaboradas e para os pretextos
Que sempre escondem mentiras ou verdades absolutas.
A sutileza as mentiras e os pretextos elaborados são capazes
De fazer da conservação de um povo quilombola,
De uma cultura africana ou indígena, em a conservação de seu legado de submissão,
Escravidão, miséria, exclusão, desfavorecimento e inferioridade.
Em nome da conservação de um povo podemos negar lhes o seu direito de progresso.
Não me venham com sutilezas, afinal sou um Imparcialista
E, portanto nem se quer sou excluído, simplesmente não pertenço a nada.
Como somos vis... A IMPARCIALIDADE é também uma espécie de sutileza,
De parcialidade disfarçada,  que se torna perseguição para atingir objetivos.
A poesia Imparcialista é feita em tópicos sem utopias
E canto a velocidade e a modernidade...

Eu, a máquina de coração humano,
Constituído de ferro, cobre e zinco, por tanto, oxidável dentro da eternidade, 
Sou movido a sangue, eletricidade, hidráulica e pneumática.
Eu o robô multifuncional, a máquina inconveniente
E pensante em horas desapropriadas,
Tenho braços de ferro, que cortam horas afio, em movimentos programados e inconstantes.
Eu, o robô multifuncional, vim com um defeito de fabricação: 
Penso e sinto em horas desapropriadas, e como se não bastasse, 
Ainda rumino pensamentos e sentimentos contra os patrões,
E suspeito que sou programado, e ainda rumino contra meus superiores.
Eu sou a mão de obra, o atraso da tecnologia, a imperfeição do sistema capitalista, 
A máquina imperfeita, que sofre panes e se desconecta da ação repetitiva e programada,
Que sofre conflitos, que fica doente, que às vezes chora, 
Que às vezes se revolta contra o programa. 
Eu sou o insignificante perigo para a sociedade capitalista.
Eu, o robô programável, e auto programável,
Ponho energia suficiente para a realização do programa, 
Ponho minha pernas finas, porem de ferro, 
E meus braços movidos á pneumática e hidráulica,
Rasgam horas num baile furioso e violento, 
Deixo de pensar para economizar energia
E concentro todos os meus esforços na produção de bens de consumo,
E assim me faço, contra os meus mais íntimos anseios, útil ao capitalismo 
E a sociedade viciada no consumismo deste tempo ridículo,
Em que acreditamos  precisar de tudo que se produz 
E que ainda é possível criar e produzir mais... 
Esquecemos que somos feito de alma e eternidade, 
Que somos sobro de Deus, 
Que somos estrelas sem órbita dentro da desordem do firmamento existir, 
E que quando sorrimos e estendemos a mão, 
Somos o reflexo do criador, e mais um astro de luz própria, 
Neste universo suspenso de existir.
Ponho toda a minha matéria física; toda a minha composição metálica no programa, 
E salvo minha alma da rotina e do materialismo; 
Este leão furioso e esfomeado, que todos os dia, caça minha alma,
Às vezes devora um pedaço de mim,
Quando eu me esqueço, porém me recomponho porque a alma e regenerável
E de constante acender, basta que fiquemos em silêncio.
Minha alma, seu coração, meu mais íntimos anseios, 
Meus mais nobres sentimentos, não estão a serviço desta época de materialismo absurdo,
Ponho toda a minha composição sólida, neste tempo, 
E deixo minha alma navegar no firmamento de existir espectral.
O Imparcialismo nasceu em um máquina feita de ferro e cobre, eletricidade, óleo e ar. 

Cheguei até aqui procurando o caminho,
Mas certamente não cheguei até aqui displicente.
Tornei o que sou buscando saídas,
Ainda procuro saídas;
Igual andarilho ainda estou no caminho.
Me tornei as palavras ditas e escritas
Para que pudesse ser alguém.
Me tornei tantos!
Que foi preciso me dividir em muitos poetas Imparcialistas
Para não ser controverso e incompreensivo em um só.
Esses poetas com suas tagarelices
Se fundem com que sou de fato.

Não sou essas vozes comprometedoras,
Não sou essas máscaras e essa falsidade.
Eu sou um silêncio espantoso a respeito do mundo.
Eu sou um pouco caso com a vida.
Essas vozes é a minha necessidade de quietude e solidão.
Não tenho palavras para o mundo.

Eu, sem essas vozes, seria apenas  uma desilusão com a vida;
Uma consciência permanente de minha insignificância
E de que o mundo é uma ilusão mental.
Eu, sem essas vozes, seria apenas uma amargura
E uma má vontade com a vida e o destino.
Eu, sem essas vozes, compreendo  tudo, e não digo nada.
Eu, sem essas vozes, sou o ímpeto para a mística pura, ou a loucura.
Eu, sem essas vozes dos poetas Imparcialistas, sou silêncio e mistério.
Eu, sem essas vozes, seria muito mais insignificante para a sociedade,
Porém; uma bomba nuclear para o meu mundo interior.

A poesia Imparcialista não passa de uma necessidade de retratar
O tempo dos nivelamentos e fazer-se consciente desse tempo.
Falo porque preciso desse esgoto,
Dessa válvula de escape,
Queria ter a voz do silêncio;
Mas ela vem e fala através de mim.

15-03-2014
A vida é tão insignificante quanto um dia após o outro,
Que se somam e nada acrescenta...
Um brilho de sol de manhã,
Uma lua escandalosamente linda;
Se assemelha a moça que me aguça o gosto pela vida.
Uma queda dӇgua fazendo o som universal
Põe gargalhada de louco na minha boca
E brilho de apaixonado em meus olhos.

Amei viajar espectral pelo campo de energia cósmica,
Voltei para o corpo com uma alegria celestial;
Por um instante um diabo pode provar a felicidade angelical.

Eu falo e escrevo porque é impossível o silêncio;
Deus é o verbo que fala no silêncio criador.
Meu Deus! O verbo é Deus, e eu quero silêncio...
Eu quero silêncio! Dizer tudo com meu olhar.

Comunicar com o mundo com o olhar melancólico...
Serei o poeta de uma só voz, de um só poema
Que engole dota a minha superfície de ser dezenas de poetas;
Eles são a superfície de minha mente;
Estou indo para os meus labirintos.

O que eu penso do amor?
Não sei ainda o que penso do amor.
Até mesmo porque o amor não é pensado,
O amor é sentido e dito em poemas clichês.

Não tenho poesia social...
Quando falo, falo comigo mesmo...
Se alguém pensa que falo com ele, pensa errado
O que houve é o eco da minha voz falando comigo mesmo.

Minha poesia não é engrenagem de um mundo exterior.
O mundo exterior tem seus sistemas, suas leis e suas engrenagens
Que são moendas de gente.
Não me importo com essas moendas, elas simplesmente existem,
Como existe a lei da cadeia alimentar.

Ser eu é ser com toda a melancolia da vida,
É olhar com desprezo para tudo.
Sou apenas um olhar triste de casa velha,
Sou apenas isso que se vê...
O resto é invenção ou resultado do caminho.

12-08- 2014

Cantamos à lentidão, a vida correndo sem pressa,
A paz no corpo e na alma, cantamos um budismo,
A meditação cristã sobre as coisas,
A meditação dos mantras indianos,
A holística do velho índio,
A simplicidade do velho homem do campo,
A prosa de um homenzinho quase centenário,
A janela apertar para o som da manhã, para a chuva fina
E para as roseiras nos quintal de terra e cercas de madeira,
A poesia, a mística e o romantismo
Com que os homens de consciência holística olham para a vida.
Cantamos o tempo para as coisas naturais e calmas
Com um riacho de água fria.

Não cantamos a velocidade dos automóveis
Que atropela animais e gente nas estradas,
Não cantamos a velocidade dos carros acelerando 
E enfumaçando nossas frontes, nossos pulmões..
Não cantamos a velocidade da destruição do planeta
Seja com progresso industrial descabido,
Seja de exploração do meio ambiente, de maneira predatória e suicida.
Não cantamos aos motores à gasolina,
Não cantamos a competição exterminadora e a ganâncias das grandes corporações,
Não cantamos a irresponsável indústria da notícia, que constrói,
Como se fosse objetos, noticias sobre pessoas.
Não cantamos a precipitação, o espetáculo bizarro, a especulação e o sensacionalismo...
 Não cantamos a velocidade com que se vão para o sexo,
Não cantamos a correria na cidade dos zumbis moderníssimos,
Não cantamos a comida que desce pela garganta
Sem que a boca sinta os sabores e o cheiro,
Não  cantamos a voracidade nem a velocidade dos modismos descartáveis,
Não cantamos as válvulas de escape; os palavrões de senhores doutores no trânsito
E dos fracassados ou frustrados nos estádio de futebol.
Não cantamos a velocidade da destruição dos fundamentos de ser isso ou aquilo,
Não cantamos a derrocada dos homens, das mulheres, das crianças e da família,
Não cantamos as ruínas...

15-12-2014


As flores são vulva e falo,
Ou será o meu olhar erótico para as coisas.
As pessoas são de sexo masculino ou feminino,
E nada mais que isso em um primeiro olhar
Lascivo, erótico ou por simples necessidade de estrutura
Consciência e definição das coisas. 

16-12-2014




As pedras no canto da praia,
As ondas quebrando na areia,
A similaridade entre eu essa natureza,
A nossa concretude do mundo,
É tudo que somos...

As pedras no canto da praia,
São o que são, com todo o realismo de ser.
Eu sou essa composição de carne e osso
Projetando um futuro, encenando ser, e ainda sonhando ser...

O que sou está aqui sentado e toma um café, e nada mais;
O que sou está aqui a cada segundo, e nada mais;
O que sou cuida das coisas do cotidiano como são:
Necessidade e uma obrigação, sem tristezas;  
Compreendo que não sou o que pensam, ou o que insinuo ser.

Sou, concretamente, essa consciência de ser internamente, a cada segundo.
O que projeto e sonho ser, morre na praia como as ondas que se atropelam,
Como à intenção de observar o pensamento,
Que é só mais um pensamento atropelado por outros pensamentos.

O pensamento que tenta observar pensamentos, nasce e quebra na praia,
Volta a nascer e morrer na praia, como ondas que se atropelam incessantemente,
Sem que o pensamento que observa pensamentos, se consolide e me confirme.
Preciso do silêncio, de sentir o coração e da mística,
Que me coloca na vida feito um farol na praia.  

Diferente das pedras no canto da praia,
Sou de dia o que serei dentro dos mistérios da noite
Onde reside qualquer significado que eu tenha na vida.



Minha consciência de ser
Não se projeta muito além de ser esse corpo de carne e osso,
Ainda assim com uma imagem equivocada de ser;
Minha consciência de ser não se projeta 
Muito além de algum conhecimento intelectual,
De alguns defeitos, alguns conflitos e algumas virtudes.

Feito pedra imóvel sobre a chuva, o sol,   o frio e o vento
Quero existir nessa concretude
Sem projetar nada,
Sem intenção de ser,
Ou insinuação de ser.
Feito essas pedras imóveis no canto da praia,
Um pouco além delas,
Quero essa consciência de ser a cada instante;
De fato é tudo que sou...

Não necessito de projeção de ser
Sou igual essa pedra e esses objetos sobre a mesa,
No entanto com um grande erro:
Projeto ser e não sou nada mais que essa ilusão de ser,
Projeto os defeitos nos outros com o reflexo de mim mesmo.
Não sou nada mais que esse corpo se movendo ao sabor de pensamentos e ilusões.
Sou agora essa ilusão consciência de concretude e ilusão de ser.   

Sou essas pedras do canto da praia,
Estou na vida ao sabor dos ventos, do frio, do sol e da chuva,
No entanto, sei que existo e quero estar na vida me olhando a cada instante;
Muito além do que sou agora, é ilusão,
Muito atrás do que sou agora, é ruminação,
Os sonhos são hipóteses...
O que sou agora é exato como a consciência de ser eu nesse exato momento.
 
09-01-2015

Fui importante por algumas décadas
Ou me senti importante por algumas décadas,
Melhor, encenei importância por algumas décadas.

Um dia qualquer amanheci sem importância alguma...
Por incrível que pareça deixei de ser importante 
Sem perder qualquer importância que não tive.

De repente, em um segundo da vida,
Com a rapidez de um pensamento,
Deixei de ter importância.
Foi uma espécie de morte em vida,
Morte de ser importante.

Com a velocidade de um raio,
De um golpe de espada, automaticamente,
Deixei de me preocupar com que pensam a meu respeito,
E por consequência, de ter vivido uma espécie de morte
Deixei de encenar importâncias.

De repente  não tenho mais mistérios
Para os outros, não tenho segredos para comigo,
Não tenho mais presunção de importância;
Posso ser o que não fui,
Posso dizer o que não disse,
Posso fazer o que não fiz.

Sou de uma minoria, sem qualquer representatividade,
Sem qualquer exigência de direitos, prazeres e vícios,
Somos apenas livres de nós mesmos e das engrenagens do sistema
Para sermos significantes.

Por décadas estive preso atrás das grades da auto-importância;
De repente o porteiro desse inferno de presumir se importante,
Abriu a porta e disse: _ Sai!
Sai imediatamente, agora tenho que aprender
A conviver com a minha insignificância, que sempre tive e fui.

Sai nas ruas e o mundo se tornou outro aos meus olhos:
Sem as projeções mentais de minhas ilusões de importância.  
Talvez a felicidade seja essa insignificância diante do mundo,
Essa holística de ser tudo
E ser significante dentro dessa completude e essa consciência universal.



13-01-2015


Décima segunda casa astrológica. 
Quero ser na solidão o que sou acompanhado;
Somente assim se é sincero consigo mesmo.
Confesso à existência de mundos paralelos,
Confesso a mim mesmo mundos secretos,
Confesso que na solidão há dimensões mentais
Que somente eu tenho acesso:
Vícios, pecados, promiscuidade, conflitos, fugas...
Decreto a mim mesmo morte!
E dessa morte nasce o luz da minha noite.




14-01-2015

Dormi, adormeci, acordei...
A terra, a vida, o dia...
São mundos paralelos aos sonhos.
Consciente dentro desse tempo,
Consciente dentro desse mundo,
Consciente de estar agora nesse mundo,
Para estar consciente de momentos nos sonhos,
Consciente de estar no mundo paralelo.

15-01-2015  

Poesia para o fim do Discurso
Seria conveniente
Dizer que a mulher emancipada
Chegará à supremacia feminista,
Porém, a poesia Imparcialista rompeu com os discursos,
Com os tratados, com as convenções sociais e os “panos quentes”...
No fundo, e olhando bem de perto,
A mulher foi uma ferramenta para o progresso da sociedade moderna,
Tanto como mão de obra quanto como excelente público consumidor...

Agora que rasgamos os discursos e os tratados, posso dizer que homens
E mulheres foram apenas vítimas, ferramentas
E meios para a criação de uma nova ordem mundial,
Que ainda sobrevive em meio às ruínas e o caos social, familiar, ambiental
E as crises de valores da sociedade contemporânea.

No meio dessas ruínas vejo gritos de apologia a liberdade sexual
Da qual se é marionete e escravo.

O imparcialismo tem a mística sem a alienação do simbolismo,
A beleza sem a negligência social do parnasianismo,
A liberdade e a autonomia sem a deformação e a inconsciência do modernismo,
O realismo sem a dureza e a frieza materialista do movimento com esse nome,
A dualidade sem a oscilação e a indecisão do barroco,
A mitologia sem o paganismo no classicismo,
O amor sem os excessos do romantismo.
O humanismo sem as presunções do movimento com esse nome.

O imparcialismo é o multiculturalismo, a compreensão das alegorias,
Das analogias e dos símbolos a serviço da compreensão do homem,
De seu tempo e da construção de um novo conhecimento e um novo caminho. 


Sociedade da esculhambação. 
O que mais podemos esperar
De um tempo
Que destruiu a família,
O conceito de pecado,
Os valores humanos,
As virtudes,
Os parâmetros,
As abstinências...
E nivelou, esculhambou com tudo
Para dignificar o não dignificável...

Teoria Imparcialista.
Todo número impar
Dividido por dois
Forma pares e sobra um.

Esse que sobra é O Imparcialista
Que observa os dois lados.

O Imparcialista:
Aquele que olha de fora,
Aquele que observa,
Aquele que não é engolido...

Foi assim, com esse pensamento,
Que surgiu o imparcialismo
Enquanto eu trabalhava
Em uma indústria metalúrgica,
Aqui, na cidade de Marília.

No fundo, o Imparcialismo se torna possível
Porque nele se observa um distanciamento
E um desapego à vida material
E uma aproximação à dimensão espiritual do homem
E sua verdade imutável. 

16-01-2015



As palavras cruzadas se unem sem ligações
Para não dizer, absolutamente, nada.

O passatempo sobre a mesa
Faz parecer que não existe uma jornada
Marcada pelos meus passos no caminho.

Quero escutar música sem letras;
Poesias nas coisas, 
Não quero teorias nem discursos,
Estou farto de razões.

Quero o silêncio em todo o corpo,
Quero que você cale à boca...
Quero existir apenas com o som das coisas
E da chuva e do vento correndo sobre elas...
Quero apenas o sol que aquece e dilata
E o frio que retrai as coisas descobertas sobre o tempo.

Quero estar aqui em silêncio
Sentir a verdade como quem sente o vento.
Não fale nada!

Deixe a casa esvaziar-se de palavras,
Deixe-me morrer à míngua sem discursos
E de tantas razões dos sem razões.

Não estranhe o meu silêncio
Diante dos erros e das injustiças
Em um mundo que destruiu a antítese,
E tudo é justo e puro no grito exaustivo das minorias.

15-01-2015  

A ditadura do daltonismo social é cínica,
É capaz até de dizer que vê o que de fato não vê,
No entanto, impõem a você
O que lhe é apropriado para o momento.

Diz coisas que são convenientes aos seus interesses,
Você enxerga outra coisa e outras cores;
Para não contraria a ditadura daltônica,
Você concorda com as cores impostas,
Porém sua consciência não se deixa enganar.

Dualismo são forças opostos
Que criam outro caminho:
O Imparcialismo. 

Holística do bem,
Holística do mal.

Absolutismo do mal
Absolutismo do bem.

Os absolutismos são 
As duas face da dualidade...

O caminho é o meio da bifurcação na estrada. 
Na vertical que sobe 
Ou na vertical que desce. 


16-01-2015


Ejaculação da Alma...
Aprumo meu espírito alinho a minha conduta,
Igual ao executivo que arruma a gravata
E alinha o paletó enquanto atravessa a rua;
Entra no prédio de escritórios em frente ao Roma café bar.

De ontem para hoje o dia amanheceu configurado da mesma maneira;
Eu é que amanheci sobrando pontas para todos os lados,
Eu é que amanheci configurado de outra maneira.

Ainda não acordei por inteiro,
Por isso não sei o que em mim sobra neste instante,
Porém suspeito que seja o antigo descontentamento de ser eu.

Sou crítico, ou sou gato velho rabugento
E meu senso crítico nada mais é que ódio do mundo
E uma forma de ser furioso.

Minhas palavras é válvula de escape.
Não sou de cobiça ou inveja,
Mas gostaria de ter esta sua gargalhada
Gostosa... debochada e geminiana
Como se fosse uma ejaculação da alma.
Um suspiro, uma válvula que não te deixa assim:

A ponto de uma erupção de fúria.

12/02/2006

Tenho asas de águia, e pairo acima de tudo que é meramente material e humano.
Tenho asas de beija flor e canto de rouxinol nas manhãs ensolaradas de meu espírito.
Tenho asas negras de corvo, e sobrevoo a imundície humana 
Atraído por meu faro aguçado para tudo que é podridão.
Assim são meus dias nos labirintos infernais de meu interior.
Tenho asas, sou da sua espécie, olho para tudo que é moral e permitido.
Sou da tua espécie, da espécie hipócrita...

                                                          24/01/2006




Adormeço feito vaca
Remoendo o passado, mastigando o futuro...
Na pastagem o boi faz parceria
Com o pássaro carrapateiro;
Enquanto os homens têm a ilusão de auto-suficiência...


18-01-2015

Dessa mesa de um bar de esquina,
De frente para a rotatória e o passeio público;
Gentes cuidam do corpo com suas caminhadas ao por do sol.
Gentes falam da política,
Da novela e sua nova educação sexual
Para criar públicos consumidores,
Ou para controlar a população mundial...
Gentes falam do aquecimento global,
Do fim dos tempos, das profecias de são Malaquias,
De seus costumes de bom cidadão,
Meninos brincam com seus jogos eletrônicos,
Zumbis, ao celular, são atropelados
Enquanto atravessam o sinal vermelho,
As mulheres falam das promoções,
Homens falam de seus times campeões.
Eu que não tenho paciência
Para conversas vazias apenas observo...
Eu e eles pensamos que dirigimos à sociedade,
Que estamos no controle da vida...
Suspeito de minha insignificância,
E da falta de importância de uma vida sem alma.

Um corpo esquecido de si mesmo, em aparelho eletrônico,
Colidiu e fundiu se ao carro,
Onde estava o motorista fundido ao carro com apego e ilusão...
É só mais uma tragédia para os jornais de amanhã,
Só de amanhã, e nada mais...

A multidão, que não pode fazer nada, veio assistir ao espetáculo,
Se descontrair com a desgraça alheia
E sentir-se vaidosas e aliviadas porque suas desgraças pessoais são menores...
Teremos assunto para a semana inteira.  
Essa gente, feito urubu, encobriu minha visão,
Não vejo mais nada do outro lado da rua.

23-01-2015


A Consciência é a consistência abstrata de ser a cada instante
Em átomos de eternidade.
A Inconsciência é o estado vaporoso de existir a cada instante
Esquecidos de que existimos.

24-01-2015

Mundo virtual, milhares de amigos,
Solidão real, caos em nossas relações com o mundo,
Com nosso interior e com as pessoas.

Fuga para um mundo virtual,
Onde inventamos nossas relações,
Onde projetamos nossas dimensões mentais,
Onde deixamos ser engolidos pela mentira,
A ilusão e a cela confortável 
Para os nossos conflitos emocionais e psicológicos.

Até que esse mundo nos engole psicologicamente
E deixamos de viver a vida real;
Estão ficamos em um turbilhão de desordens
Que vem de dentro para fora, e de fora para dentro.

28-01-2015

A cafeína, por décadas, tem deixado meu cérebro
Doido como um gato endiabrado.
Um dia alguém me disse:
Lamento informar, mas o mundo não se processa 
Segundo suas paixões, seus desejos e critérios.
Então mude!
Fuja dos sistemas pelas rotas de fuga secretas.

Minorias, esqueçam as igualdades,
O mundo segue o critério da maioria,
Ou daqueles que, em dado momento, está no poder.

Venho em missão de paz, amor e verdade...
Me perguntei: Se contagiamos outras pessoas com a nossa raiva;
Será que podemos contagiar os outros com a nossa paz?

Quantos sou, não sei!
Quantos fui, não sei!
Minhas personalidades foram se criando
De acordo com as fases da vida...
Agora só me resta matar as personalidades,
E ser a manifestação da alma!  

02-02-2015

Não tenho motivos para sonhar acordado,
Não tenho motivos para sonhar adormecido,
Não tenho motivos para sonhar de nenhuma maneira.
O sonho, de todo modo, é uma ignorância do momento.
Tenho grandes expectativas para o instante...

Sem justificativas, gostaria de adormeço à sombra
De uma grande árvore,
Sentir a terra fria na pele dos meus pés descalços,
Ser esse elo entre a terra e o céu.
   
Ter razão nunca foi o meu forte!
Ter razão não significa estar certo;
Também não justifica os motivos.
As motivações se justificam nas necessidades,
Nos desejos e nos vícios...

A sociedade do prazer confunde o desejo com a razão;
E a razão é subjugada pela motivação que vem do desejo.
A partir dos desejos inventamos nossos direitos e motivos.

02-03-2015 


O jornal da manhã disse que o mar avança
Sobre as cidades americanas;
Ser engolido pelo mar é tão contemporâneo!

As águas salgadas do mar vão dissolver
Tudo o que deixamos em decomposição:
Arte, família, pessoas, sociedade, verdade imutável,
Valores, religião, livros sagrados...
Tudo em deformação, para que se encaixe aos desejos
E as motivações sexuais desse tempo.


A deformação é a estrutura,
A desordem é a ordem,
O caos é a base e a razão desse tempo.


02-03-2015



Um pouco mais assim: imparcial,
Mais franco comigo, e com os outros.
Um pouco mais natural,
Uma falta de propósito nessa vida
Sem miragens de futuro.
Uma grande fé na providência divina,
Uma religiosidade silenciosa e prática. 

08-03-2015

Ainda a industrialização, o fim da Epopeia,
O nascimento do Romance realista...
Ainda a industrialização
Colocando o mundo à beira de um  colapso,
Ainda o romance firme e forte...  

Quero dançar com as palavras descompassadas
Dessa epopeia picaresca na poesia  imparcialista.

Meus versos é o canto do fracasso, da vitória e da luta...
Meus versos é a patética epopeia moderna às avessas,
Sem o heroísmos de Dante Alighieri, Virgílio e Camões.

Meus verso é a voz do Velho do Restelo contextualizado.
Meus versos é a inconstância do pensamento e da vida interior,
Meus versos é a paisagem em desencontro com o momento e o tempo interior,
Meus versos é o aleatória, a inconsciência, a consciência e a descontinuidade;
Dessa inconsistência faço a nova epopeia de fracassos, vitórias e lutas.

10-03-2015
  
Falar me cansa.
Vaidade intelectual me cansa.
Jogar conversa fora me cansa.
Passei, a poesia imparcialista também passou pela adolescência; 
Com sua natural arrogância, 
Sua ilusão, sua vaidade, sua  pretensão e seu orgulho...

Estamos maduros, 
Não temos mais as vaidades adolescentes, a vaidade intelectual;
Somos o que somos,
E estamos construindo o que não é efêmero, dentro da alma...
E de preferência, na solidão e em silêncio!

10-03-2015
  


J.Nunez


(poema em eterna construção; igual a mim)                     

José Nunes Pereira


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