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Publico esse poema em homenagem a JORNALISTA MARIA JÚLIA COUTINHO - MAJU

Maria Júlia Coutinho


Esse poema foi escrito em 2008, quando comecei à pública a poesia Imparcialista.
Escrito em homenagem aos (4O anos da morte de Martin Luther King Junior), no entanto, esse poema revela o preconceito do brasileiro. Que ficou bem clara com a lamentável situação ocorrida com a jornalista  MARIA JÚLIA COUTINHO - MAJU

POEMA CANTO DOS OPRIMIDOS 

(4O anos da morte de Martin Luther King Junior) 

Não existe preconceito, o problema é que o negro, 
Quer deixar à senzala, 
Quer vir sentar na sala, 
Quer ter direito a fala. 

Não existe preconceito, o problema é que o negro, 
Quer deixar à favela, 
Não quer viver de esmola, 
Não quer deixar à escola. 

Não existe preconceito, o problema é que o negro, 
Não quer descer ladeira, 
Não quer resto de feira, 
Não quer comer poeira. 

Não existe preconceito, o problema é que o negro, 
Não se dobra com chicote, 
Não se cala com acoite, 
Não é servil à elite. 

Não existe preconceito, o problema é que essa negra, 
Não sacode essa cadeira, 
Não desce à ladeira, 
Não satisfaz vontade passageira. 

Não existe preconceito, o problema é que essa negra, 
Freqüenta o baile de gala, 
Sabe muito bem o que fala, 
Não perde seu tempo com novela. 

Não existe preconceito, o problema é que esse negro, 
Deixou seu lugar comum, 
Não é mais qualquer um, 
Não se dobra a senhor algum. 

Não existe preconceito, o problema é que esse negro, 
Atravessou à margem, 
Mais não esqueceu sua origem 
E recusou à maquilagem. 

Não existe preconceito, o problema é que esse negro, 
Não se engana com mentira, 
Que marginaliza sua cultura, 
E a verdade transfigura. 

Não existe preconceito, o problema é que esse negro, 
Resgatou sua história, 
Tem uma África na memória, 
E um canto de vitória. 

Não existe preconceito, o problema é que o negro, 
Não sangra mais no tronco, 
Não se engana nem um pouco, 
Não se vende nem quer troco. 

Não existe preconceito, o problema é que o negro, 
Reclama, pede por mudança, 
Não quer mais saber dessa injustiça 
E não dá mais para olhá-lo com indiferença. 

Não existe preconceito, o problema é que o negro, 
Quer sua liberdade, 
Sua luta, sua oportunidade, 
Seu direito à felicidade. 
Com prevê a constituição. 

Se o negro aceitasse sua condição, 
Se ficasse onde estão. 
Se o negro aceita à favela, 
Que é uma extensão da senzala, 
E vivesse com que lhe dão de esmola, 

Se não reclama seu direito, 
Não existiria preconceito, 
Porque aceita o que lhe é dado, que é o resto... 
E não o que lhe é de direito. 

Meus versos não tem pele, não tem cor, 
Meus versos tem humanidade e amor, 
Meus versos é o canto do oprimidos, 
Meus versos é o grito dos injustiçados... 

4 de abril 2008 J.Nunez 

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