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MOVIMENTO IMPARCIALISTA

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IMPARCIALISMO

domingo, 3 de agosto de 2014

Poesias para o contexto contemporâneo.

Velório

O morto tem a ilusão de estar vivo,
Enquanto seu corpo é velado,
Seu fantasma trabalha na ferrovia.

Na sala o povo hipócrita diz:
_Que descanse em paz, ele merece.
Discordo: Ele não merece e o inferno só está começando.

Do outro lado do caixão uma conversa indiferente ao morto.
Alguém lamentado o fim de um caso amoroso,
Ela dizia que sua namorada a trocou por outra.
Dizia:_ Foi tudo uma grande mentira o nosso casamento.
Concluo que elas são uma mentira.  

Eu sou uma mentira sem a encenação de ser;
Imagina quem encena ser o que não é.
Graças ao defunto, a única verdade é o cafezinho quente e forte.
Meus pensamentos são de luto. 

Ali no velório os fundamentalistas das liberdades sexuais
Condenou os olhares de reprovação ao casal gay,
Com a máxima irrefutável de que a morte nivela tudo,
Ignorando qualquer possibilidade de virtude, pecado e mais além.

Os fundamentalistas das liberdades sexuais e dos vícios
Tem a grande esperança que se forme uma nova sociedade
Segundo suas vontades sexuais, seus fetiches, caprichos, vícios e desejos.
Os conservadores não esperam mais nada,
Talvez, que não sejam queimados em praça pública.


Um carro passa acelerado e interrompe as vozes no velório.
Os individualistas radicais, os das liberdades insanas
Dizem que ninguém tem nada a ver com suas vidas,
Mais uma grande ilusão nascida do egoísmo capitalista.

E o defunto ali cada vez mais próximo da decomposição...
E ainda seu fantasma, e por muito tempo, assombrando a estação de trem.

Albano Morais

J.Nunez 

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