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IMPARCIALISMO

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Desprezo, paixão e amor

Doença
Eu, o desenganado, contemplei no espelho,

Com uma tristeza de morte, os sintomas

Desta doença prosaica e incurável

Que vai definhando o meu corpo.

Contemplei:

Um brilho estranho em meus olhos,

Um tremor em minhas mãos,

Um sangue frio em minhas veias,

Uma perturbação nos sonhos,

Um pensamento único e constante

Como se eu fosse um suicida,

Uma sensação de alegria extrema,

Ou uma explosão de desespero,

Um esquecimento de meu corpo,

Um entorpecimento dos sentidos,

Uma perca de apetite e por conseqüência

Um emagrecimento assombroso

E uma fome insaciável não sei do que,

Um ódio crescente e incontido,

Um sentimento terno e doce, como se eu

Já estivesse envolto nas asas do anjo,

Uma ânsia de último suspiro,

Um êxtase de caminho onírico,

Um foco no pensar e sentir,

Um olhar distante e embriagado de ilusões,

Uma insônia que põe solidão

E tormenta em minhas noites

E olheiras nos meus dias de espera,

Uma respiração acelerada e sufocante,

Uma dor no peito, que me faz rolar na cama,

E navegar noite adentro, solitário e esquecido,

Uma sensação de morte,

Um desbotamento da vida,

Um aperto no peito, por não saber chorar,

Uma fluidez nas coisas sólidas,

Um olhar alagado de tristezas,

Um inesperado frio no baixo ventre,

Um caminhar desnorteado e displicente,

Um suor excessivo nas mãos trêmulas,

Um calor sobre o frio em todo o corpo,

Uma face e um sorriso congelado,

Um suspiro de alegria,

Uma fome adolescente de vida,

Uma palavra entalada na garganta,

Um grito sufocado pelas suposições,

Um grito arrebentado e inconseqüente,

Um arrependimento inconfessável,

Um sentimento embalado por música,

Um vírus que contagia com palavras suaves,

Com gestos de pura devoção,

E com o conteúdo da carne e da alma.

Um tornado de sentimentos que varre o chão

De minha mutável paisagem interior.

Um sufocamento de não chorar.

Quando a dor é demais

Enrudesse á alma e seca os olhos.

Eu, o desenganado, abandonei

Meu corpo ali num canto da casa, até que morra,

Desta doença de amar sem ser amado.

Abdias de Carvalho

J.Nunez

Abdias de Carvalho é um dos pseudonimos de J.Nunez esse é o poeta da estagnação, da poeira assentada, da falta de perspectiva, da baixeza moral, da atrofia, da revolta calada, do silêncio dos excluídos, da ruminação furiosa e secreta, da repugnação, da repetição angustiante, da falta de oportunidades, da linguagem repugnante, esse poeta representa o abandono, o deixar se onde está. Neste poeta não há incertezas, e sim eterna imobilidade.

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