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MOVIMENTO IMPARCIALISTA

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mundo interno e mundo externo

Atrás das trinjeiras de ser cidadão...

Andarilho a margem de dois mundos sem que pertença definitivamente a nem deles.
Este mundo não me conquista, não me trai, não me leva, sem que eu perceba que me leva.Luto contra a correnteza, e isso tira o sentido de tudo como quando contamos antes da hora, o que era surpresa.
Do outro mundo não sei nada, e isso me assusta, tenho medo de solidão, mas de todo modo é somente solidão, pois sei que o mundo me leva, e é isso que tira o sentido da vida, e olho para além.
É preciso que eu vá pela vida, feito um graveto que vai na enxurrada, que vai sem saber que vai, igual os que sofrem sem saber que sofrem, mas Deus me deu sentidos, para que sinta e veja.
Deus me vez com asas e não gosto de viver somente no chão, sou ave solitária e migratória, e é hora de passar a margem.
17/11/03

Embaixo das folhas secas e frutos apodrecidos, embaixo das casca das arvores e em toda a extensão de um graveto, um universo que quase apalpo, que me faz esquecer por um instante este universo a que pertenço.
Atras das cascas das arvores um universo indiferente
a este microcosmo de orgia, vícios e matéria.
Por um breve instante sai das trincheiras de ser cidadão; onde nosso inimigo se esconde conosco, sem que se quer suspeitemos de sua presença; ele nos envenena desde de o café da manhã, que desfrutamos juntos prazerosamente, e vai-nos matando aos pouquinhos e servido-nos de ombro amigo e companheiro incondicional.
Quando saio das trincheiras de ser cidadão, apalpo um universo minúsculo, desgarro desta teia de aranha, que chamados de vida, e por este instante não tenho para onde voltar, e sou qualquer coisa que não seja cidadão, sou qualquer pedra imóvel, sou qualquer folha caída; levada pelo vento, qualquer rio que deságua, qualquer bicho do mato, sou qualquer pássaro, não, não sou qualquer pássaro!...Sou na verdade qualquer coisa que é sem o propósito de ser, qualquer flor, qualquer orvalho, qualquer chuva que faz o bem, sem o propósito, sou qualquer coisa, como um sorriso sincero, qualquer coisa sem o propósito de ser.
Os pássaros e as abelhas labutam demais, os pássaros fazem ninhos e as abelhas fazem mel, são quase cidadãos, mas eu não, sou neste instante a inveja dos pássaros; porque não sou livre, sou neste instante qualquer coisa que não possui propósito nem um, que é e pronto.
17/11/2003

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